Hoje é o ínicio do fim de tudo, o primeiro dia.
Jamais poderia dizer que é um dia fácil, não o é, e toda a dor actua em mim como uma anestesia, que não me deixa sequer ter vontade de falar ou de fazer algo que seja útil. Mas eu sei que tenho de levantar a minha cabeça. A minha cabeça zonza e sem força. E eu levanto, sorrio e tento levar a vida para a frente. Nada dura para sempre e, cada vez mais, eu tenho a certeza disso.
Com certeza que me vou habituar a isto. Há dias que lido com a tua ausência e com a tua indiferença, não há-de ser muito diferente. Pelo menos acontece tudo de uma vez. A adaptação a um novo espaço e o fim desta relação que muito provavelmente nunca deveria ter começado. Não preciso de dizer que estou desfeita, já toda a gente o sabe ou, se não sabe, deduz. Não tenho raiva a pulsar dentro de mim porque acho que ela não me ia levar a lado nenhum. Eu já passei por pior, devo conseguir passar desta também.
Hoje é apenas o primeiro dia, muitos hão-de passar, hei-de sentir-me assim muitos dias mas eu tenho fé que tudo acabe por melhorar. É esta a minha atitude perante tudo, não posso ter outra e tenho de seguir em frente, ir buscar força onde ela não existe mas, sim, eu vou conseguir.
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