Não sei ao certo aquilo que sou e, na verdade, não me apetece escrever muito porque esta frio e sinceramente os meus braços estão bem melhores debaixo dos lençóis do que propriamente a escrever. Mas eu sinto necessidade de escrever, apesar de bater fortemente uma forte dor na minha cabeça e de ter presente o pensamento de que deveria já estar a dormir. Fico também revoltada com o facto dos meus acentos ortográficos não estarem a funcionar de forma correcta, o que me leva a não puder aproveitar ao máximo este maravilhoso prazer de escrever. No entanto, preciso de fazer esta reflexão sim, agora. O que sou eu afinal? Eu sei que sou a Joana. Não gosto propriamente de me descrever. Acho que e demasiado complexo e, as vezes, sinto-me uma pessoa diferente todos os dias, não a um nível profundo, mas em alguns aspectos superficiais, que não moldam de todo a minha personalidade. Eu sou todos os lugares que me fazem sentir em casa e, quando passo muito tempo em algum sitio no qual não me sinto em casa, sinto-me mal e desconfortável. Sinto vontade de ir embora. Eu sou todas as pessoas que me seguram nos momentos de desequilibro, quer literalmente quer não. Não sou sempre feliz e a tristeza acaba por fazer parte de quem eu sou, chegando mesmo a trazer-me uma certa sensação de conforto. Eu sou todas as demonstrações de carinho que tenho com aqueles de quem mais gosto e sou todas as demonstrações que essas mesmas pessoas tem por mim. Também sou raiva e ódio quando e preciso, embora esses sejam sentimentos momentâneos para mim. Eu sou todas as palavras que escrevo. Sou todos os caminhos que gosto de percorrer, sou todos os sonhos enormes e pequenos que vivem dentro de mim. Eu sou garra, mas por vezes também sou desanimo. Sou a frieza e sou a delicadeza. Não sou dois em um. Sou muito mais que isso e, tanto tenho muito como nada para dar. Não sou propriamente aquilo que os outros fazem de mim porque, por vezes, dou demais a quem não merece. Sou coragem e cobardia e sou o erro e a atitude correcta. Sou tudo e as vezes não sou nada. Sou divertida e as vezes não sei como agir. Sou a timidez ou, quando alcanço grande confiança, a maior comédia que alguém pode assistir. Nem sempre faço tudo certo, mas quando não faço tento remediar a situação, talvez não da melhor forma. Não sou nada de especial, mas gosto de fazer com que algumas pessoas se sintam especiais. Não sei exactamente o que faço aqui, nem sequer sei qual e o meu dom nem em que e que posso ser útil mas, vou continuar a dar o meu melhor todos os dias, e se em algum dia não o der, eu prometo que tento retribuir no dia seguinte. Isto sou eu, ou uma (pequena) parte de mim, que pode dizer muito ou então não diz nada. Quem me conhece pode dar a sua opinião de forma mais elaborada. Agora vou realmente meter os braços debaixo da manta quentinha, porque faz frio e as minhas mãos começam a congelar. Gostei particularmente desta reflexão, porque sinto que não escrevia nada que me satisfizesse já há algum tempo. Eu própria chego a ficar cansada dos meus textos deprimentes acerca dos meus problemas. Hoje fico-me por aqui, ate porque andei desaparecida alguns dias, mas acho que só devemos escrever quando realmente temos algo de interessante para escrever. Esta sou eu, na minha mais pura pessoa. Boa noite.

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