Por muito que eu tente evitar, o meu passado persegue-me de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Chega mesmo a encarnar noutras pessoas, mas em histórias diferentes.
Eu nunca me apercebi do quanto ainda doí cá dentro tudo aquilo que eu tive de suportar mas, a verdade, é que quando sinto que toco nesse assunto, dentro de mim a tristeza cresce. É como se abrisse um buraco negro e começasse a sair de lá qualquer tipo de névoa negra que me invade o resto do corpo. Essa mesma névoa torna-me tão frágil, tão sensível a qualquer palavra dita fora do contexto, a qualquer gesto praticado na hora errada de forma inocente... Eu mantenho a minha máscara todos os dias, até para mim mesma, mas nestes momento eu sinto que ela cai e eu sinto-me indefesa. É como se não conseguisse confiar novamente em alguém e agisse novamente por minha conta. É como se sofresse tudo novamente só que de uma forma mais suave.
Gostava de não me sentir afectada por pormenores tão insignificantes. Gostava de não ter sentimentos, gostava de não ter coração... Pelo menos assim eu não passava tantas vezes pelo mesmo sofrimento, não andava em círculos como sempre ando. São círculos porque venho sempre ter ao mesmo sítio. O final é sempre o mesmo. É nestes momentos que me convenço que nunca nada mudará.
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