sábado, 3 de março de 2012

Após uma conversa que tive ontem, bem, não foi exactamente uma conversa. Digamos que foi uma discussão animada. Eu sei, supostamente essas coisas não existem, mas agora eu sei que existem, graças ao facto de encontrarmos pessoas realmente especiais. Mas seguindo em frente, no meio de toda aquela estranha discussão, acabei por fazer uma auto caracterização a mim própria e, reparei o quanto isso pode ser importante, não só para aquela pessoa que me estava a ouvir, mas para mim também, porque consegui admitir tudo aquilo que era.
Normalmente tememos por falar acerca dos nossos (piores) defeitos. Tudo porque achamos que vamos ser postos de lado, vistos com outros olhos. Eu não nego que também tenho esse medo mas, uma coisa é certa, todos nós temos defeitos e seria tão melhor se fossemos capazes de falar sobre eles com transparência, uns aos outros... O problema é que nesta sociedade, a maior parte das pessoas passa mais tempo a tentar esconder os defeitos do que a tentar melhorá-los. E o primeiro passo para mudar, é aceitar aquilo que somos. 
Este é o meu segundo passo para aceitar aquilo que sou. Ontem foi o primeiro. Hoje enumero, falo e assumo aquilo que sou, de mal, porque confesso que muitas vezes me custa assumir. 
Então começando, não gosto que me interrompam. Para mim, cada um deve falar na sua vez. Sou muito teimosa, e, como tal, não gosto muito que me contradigam, mas tenho noção disso e a maior parte das vezes luto contra esse facto e dou a razão às pessoas quando elas realmente a têm. Não gosto de dar o braço a torcer, isto, claro, em consequência de ser teimosa, mas sou adulta o suficiente para pedir desculpa quando tenho realmente de o fazer, mais especificamente sou adulta o suficiente para admitir um erro. Tenho problemas em admitir tudo o que tenha a ver com estar triste, psicologicamente mal ou, então, tudo o que tenha a ver com algum tipo de sentimentos. Teimo com frequência em fazer-me de forte e achar que posso levar com tudo sozinha. Enervo-me facilmente e por vezes, sou demasiado dura. Quando parto para aquela parte em que digo tudo o que penso, há estou na situação em que não há mais nada que possa ser feito para salvar a relação com determinada pessoa. Guardo muitas coisas sempre de mim e acredito que haja um momento certo para dizermos tudo aquilo que pensamos. Costumo dar tudo por uma pessoa e ir até ás últimas consequências, o que acaba sempre por ter o mesmo final: sou magoada. Mas quando me magoam, torno-me extremamente fria. Admito que tenho uma boa capacidade de resposta e consigo ficar bem em muito menos tempo do que aquilo que as pessoas imaginam, o que as leva normalmente a pensar que eu menti em relação aos meus sentimentos, mas não. Simplesmente consigo recuperar de forma rápida e, após atingir essa recuperação ignoro completamente a pessoa que me fez mal ou, então, se ela tentar comunicar comigo sou capaz de a deitar abaixo de qualquer forma, sem qualquer tipo de piedade. Muito sinceramente, dá-me gosto vê-la a pagar por tudo aquilo que me fez, apenas devido à minha rejeição. Depois de atingir este ponto, chego mesmo a tornar-me demasiado cruel. 
Quando estou mal gosto de estar sozinha, não gosto de abraços, não gosto de palavras de conforto. Não suporto que me vejam a chorar. Se na verdade gosto de ser assim no que toca a isto? Não, mas a verdade é que o fiz tantas vezes, tente fazer-me de forte tantas vezes que agora já não consigo ser de outra maneira. E penso que todos estas caracteristicas minhas acima descritas sejam os meus piores defeitos. Não me considero uma má pessoa, ou melhor, talvez todos os humanos sejam más pessoas, penso que a realidade será mais essa, no entanto, nós podemos lutar contra ela, se quisermos. Uma grande parte da nossa vida, daquilo que somos, está nas nossas mãos, por muito que haja qualquer coisa que nos queira impedir de fazermos aquilo que realmente queremos. Mas se não estamos bem, temos de lutar. Lutar vale sempre apena. Lutar ajuda-nos a descobrir a vida. Lutar é viver, se pensamos bem.

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