Se eu poderia ficar calada? claro que poderia, mas como pensei, era uma questão de deixar de ser eu mesma. Não deu para evitar. Nunca fui boa a engolir sapos, mas também nunca falei sobre algo que não tivesse razão, daquela forma. E acho que até fui bastante bem educada. Nada acontece por acaso e talvez a situação de hoje sirva para me explicar que nada na vida é garantido, nem mesmo aqueles por quem, em tempos, punhamos a mão no fogo sem qualquer problema. Eu sei que a vida é um jogo, mas muitas vezes esqueço me e envolvo-me demasiado no jogo, afeiçouo-me demais. E como também disse ainda hoje, existem pessoas que nunca vão saber as esperanças, o valor e o carinho que depositamos nelas. A ti tinha te todo o respeito do mundo. Sentia que a nossa relação era fantástica e que poderiamos, superar, até, grandes atritos, sem nunca faltarmos ao respeito um ao outro. Mas, senti, há muito tempo, que a nossa amizade seria sólida e que nunca iriamos chegar a tal ponto. Hoje cheguei ao ponto em que me faltaste ao respeito, aparentemente sem motivo, sem sentir arrependimento. Eu poderia estar a descrever o quanto isso me desilude e o quanto isso me magoa e me deixa transtornada. Mas não, não vale a pena, se dizes que nunca te vais arrepender de uma única palavra que disseste. Lamento... Se lamento! Mas nada me resta fazer se não há vontade, se parte do sentimento já não é verdadeiro. Resta-me aceitar a realidade da vida. E tens razão, a vida nunca foi um conto de fadas. Se eu pudesse, metia todas as palavras que me disseste muitas vezes num baú. Se eu pudesse, guardava cada conversa mágica que tivemos na minha gaveta. Se eu pudesse, juro por tudo que tentava resgatar tudo aquilo que já foste e que parece ter-se perdido.
Mas que maneira má de acabar o ano, ah?
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