Chego ao famoso ponto em que não sei para onde me virar. Era como se tivesses adivinhado os meus pensamentos e tivesses feito a coisa certa, na hora certa. Eu endureci mas não sei se chegou a tal ponto, assim como também não sei se foi o suficiente da tua parte. Eu sei que foi como se tivesses contrariado grande parte das coisas que eu escrevi e pensei. Não sei se tens poderes, não sei se adivinhaste, não sei se foi a tal magia que eu poderia ter descrito naquele texto bonito que ia escrever naquele dia, lembraste? Não te lembras porque provavelmente não soubeste. Mesmo que fosse essa tal magia, há coisas que vão e não voltam mais ou, então, se voltam, são muito dificeis de se recuperar. E eu já não sei o que pode acontecer. Por tudo o que fui para ti eu merecia a luta maior do mundo, sem te querer calcar. Sem me querer achar mais do que aquilo que sou. Tu sabes que tenho razão. E eu tenho tanta coisa dentro de mim para te dizer, tanta coisa que eu gostava de compreender, mas que não posso expôr. Poder até posso, mas para ti, é uma perda de tempo. Para mim, era a chave. Era tão simples, porque eu sou tão flexivel, tão flexivel que eu nem consigo acreditar no quão flexivel eu sou. Nem sei como ainda estamos no ponto que estamos. Eu mostro-me sempre tão durona para o mundo inteiro mas sou uma das pessoas mais frágeis do mundo. Poucos veêm isso e é algo que detesto mostrar mas, mais tarde ou mais cedo, o pano acaba sempre por cair e quem me conhece realmente percebe, assim como tu, se é que conheces, se é que consegues ver isso. Não sei o que fazer comigo, não sei o que fazer contigo, nem sei o que fazer connosco. Será que me preocupo demasiado com a tua estabilidade emocional ou com a minha? Já não sei, só sei que não fui capaz de cortar a corta e deixar tudo cair no chão, como se já não valesse apena. Não sei, talvez eu seja demasiado fraca, por muito que tente demonstrar que sou forte. Porra, pelo menos tento, não posso fazer mais nada. Mas tu sabes que não está tudo bem, deves senti-lo, se me conheceres. Não te pedia muito, apenas te pedia que me levasses para um sitio onde nos pudessemos sentar e falar como duas pessoas adultas e civilizadas e pusessemos às claras aquilo que realmente queremos, para nós e um para o outro. Acho que não era pedir muito tu ouvires-me e responderes-me. Mas tu preferes dizer que são coisas que te fazem mal ao cerebro e viras-me as costas. Eu dou tudo, mas não o dou para sempre. Eu ainda tenho auto-estima e amor próprio, embora ache que devia ter muito, mas muito mais.
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