Talvez eu tenha todas as provas do mundo de que a decência não é algo que mereça, de todo, a minha preocupação. Passei quase toda a minha vida a tentar ser decente com as criaturas a quem chamamos seres humanos, que, só por acaso, são os piores seres do mundo (por muito que nos custe, é isso que somos) e, após chegar várias vezes a esta simples conclusão, admito que, de facto, não vale a pena ser decente. Poucas vezes recebi o mesmo de volta e agradeço todos os dias por ter encontrado as poucas pessoas que me tratam com o devido respeito e carinho que eu acho que mereço da parte delas.
Já passei por todo o tipo de estados de espirito esta semana. Hoje não estou muito preocupada com a minha consciência nem com aquilo que os outros possam pensar. Afinal, ninguém se preocupa. Aqueles que dizem que se preocupam, mentem, só para parecerem decentes. Eu não minto. Admito que deixei de querer saber. E sinto-me muito bem assim. Aliás, poderia estar aqui a desenvolver um texto lindo, onde explicasse esta minha mudança enorme mas não, não me interessa. Deixei mesmo de querer saber.
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