Sem ideias, sem disposição. Completamente vazia. E estaria a mentir se dissesse que não me sinto vazia. Se dantes ainda havia a vontade de agradar, de lutar, agora não há nada. E eu fico por não saber partir. Fico porque é a mesma coisa se eu for ou ficar. Não muda nada. Afinal, já era assim há muito tempo, só que eu não me consegui aperceber. Quis ir tão longe que fiquei tão para trás. Quis voar tão alto que acabei por cair e fazer um buraco profundo no solo. E agora? Agora não me resta mais nada senão lidar, mais uma vez, com o vazio dentro de mim. O buraco que jamais será tapado. A ferida que jamais cicatrizará. Uma em cima de outra, sempre uma seguida de outra, parece não ter fim. O final é sempre o mesmo, só a história é que varia. E eu continuo a dizer que tenho tanto a meus pés, mas, decido escolher sempre o pior caminho, o mais doloroso. Já nem me questiono porquê. Agora que as forças desapareceram, os sentimentos estão longe e a vontade é pouca, eu já não aguardo nada, e vivo cada minuto sem pensar no resto. Tento manter a minha cabeça enfiada em coisas que tenho realmente de resolver, de tratar e nada mais. Á parte disso, foco-me na música, que não tenha letra de preferência, para que não possa associa-la, mas eu associo na mesma.
A maior parte do dia, apenas existo.
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